
Featuring:
Edouard Manet. The Balcony. 1868. Oil on canvas. Musée d'Orsay, Paris, France.
René Magritte. Perspective II: Manet's Balcony. 1950. Oil on canvas. 81 x 60 cm. Museum van Hedendaagse Kunst, Ghent, Belgium.
OBSERVEM! Olhem para. Olhem, para. Estão próximos, assim podem observar detalhes. Cor, linha, desaprumo, maneira – se desenham. Bem próximos. Tom: quase sombra. Dobra, textura, pele, relevos, sulcos, modo, tecido, ajuste desprende (ossatura).
Distantes linhas mestras desta face: testa emoldurada, continuidade, curva descendente, sobrancelhas. Pescoço:encaixe ao traçado oval – maxilares. Discernir o jogo (arcos, ângulos, articulações entre as partes, volumes).
Alternar os movimentos – quem está perto, se afasta, quem está longe, se acerca; Olhos-móveis: veículos leves, deslocamentos deixados livres, soltos no ar.
(Aproximem! Aproximem-se... mais um pouco...)
Meu rosto: olhares o perscrutam. Minúcia. Prossigam...
...este rosto, ampliado ao extremo, decomposto, convertido em pontos, infinitamente divisíveis – pixels borrados. — no hay sino borradores
(Agora, comecem a se afastar... vagarosamente...)
Granulações vão se formando, rugosidades se aplainando. Superfícies. Contornos cedem lugar; Um contorno principal: forma simples, uniforme.
(O rosto – um único ponto) .
Agora, um pouco de oscilação. Oscilar a proximidade, a distância (um ritmo lento); alterem-no. Acelerem! Acelerem mais ainda!!!
– Projetem, com vigor, em minha direção...
–...os façam recuar, para trás... numa distância imponderável...
- O efeito da oscilação? Meu rosto ganha uma realidade extrema – compacta substância, concretude incontornável. Tempo elástico, que perde a espessura (formas impermanentes se dispersam)...
(...o semblante parece vívido)
A força de sua presença – um rosto rigorosamente impalpável, mero feixe de linhas, que se conjugam e se contrastam. Simular profundidade (dizem...): luminosidade.
Volume e textura: qualidades, gradações do branco ao preto (um jogo elementar, jogo de cinzas).
– Neste momento, rosto nenhum! Somente voz... (e esta voz, não exprime); não diz – somente gira (como um eixo), um centro que ela desconhece como se a imantasse.
...voz que fala à revelia de si...
apenas soa...
...como murmúrio
grunhido
(balbucio)
Estrangeira, desconhecida, inexistente, imaginária. Não é língua (não tem unidade). Escreve, não escreve, aquela... e aquela... ausência.
– Rosto nenhum deixa de ver oscilações.
Proximidade total, desagregadora. Distância: um ponto, marca hipotética, de todo livre.
...reverberações
...vibrações
sonoras...
Espaço?!
O espaço!?
Este espaço...
...forma irrecusável. Silêncio;
>MAIOR<menor (impureza) – ruído: enlevo e desagravo presenteiam em me ameaçam. Minha voz – errante, fora de si mesma, eco convertido que modela e realça o silêncio (operação rítmica); impressão ilusória intensa. Silêncio viável. Risco, som: luta! Instante dissipado, consumido. Ausência (espaço, este é inóspito).
– Aqui! Entre... incerto, olhos flutuantes... se estende um deserto – vastidão vazia que desliza. Imaginar: um ente espacial se move, pulsa, sustenta e esmaga.
Aqui.
– Vocês ouvem?
...nem ouvem.
– Ouvir? O que, ele?
– A voz?
...há mobilidade (possibilidade de delocamento): outros espaços – Um lugar sem lugar. Abrigo. Material: um longo cobertor estendido (...um telhado). Intempéries afastam o abismo, limites se deixam conhecer (este, se insinua...).
...ressonâncias do espaço – indissociáveis do espaço (um cosmo).
Outro lado: matéria e forma – em choque. Domesticação. Paisagem? Irrealidade esquiva.
Massa corpórea: compacto composto, partículas pesadas, densidade em linhas identificáveis; Um arranjo (expectativas dos sentidos).
Dunas, oceano, firmamento: o deserto – tudo, o silêncio... Desmancham, reconhecíveis. Espaço insurrecto: indeterminação informe. Convenções circunscritivas, um canal: mediações?
Segundo plano: percepção perspectiva e instabilidade. Mutáveis, acidentais. Corpo, mente, mundo (prisma perceptivo) – dimensões elementares, miragem orgânica. Mutação... Natureza: campo de possibilidades; Um lugar – um trajeto. Descorporifica nessa direção proximidades e distâncias, vetores. Desordem... silêncio; Um arranjo: disposição reversível, relacional. Território – contingência.
Intervalos, desvios, disjunções, desencaixes, estruturações, dissipação: propulsão (movimento oscilatório).
...deriva...
Um rosto trivial, insignificante – um semblante sem qualquer potência: meu domínio de penúria, espaço de escape. Foragido, esboço um rosto de pedra (tagarela), esgarçado e plástico de coloratura instável, ambivalente, sombra. – Olhem! É pedra e é sombra. Atenção, é marca e apagamento – em breve, em poucos instantes, silêncio.